A prosperidade econômica não é resultado automático das escolhas das sociedades, pois depende diretamente das instituições políticas e econômicas que moldam os incentivos e distribuem o poder. Embora pareça lógico imaginar que todos os governantes desejariam construir países mais ricos, muitas elites resistem às mudanças que tornam a economia mais dinâmica. Isso ocorre porque o desenvolvimento implica processos de inovação que ameaçam estruturas de privilégio. Como afirma o texto, “o crescimento econômico e a mudança tecnológica são acompanhados do que Schumpeter chamou de ‘destruição criativa’: substituem o velho pelo novo”. Essa renovação constante pode gerar ganhos para a sociedade como um todo, mas representa perdas para grupos que vivem do controle de setores ultrapassados ou da exploração direta da população.
A oposição ao progresso não se baseia em ignorância, mas em interesses. Mudanças econômicas redistribuem poder, e muitos grupos temem perder sua posição privilegiada. Por isso, historicamente, elites políticas e econômicas têm bloqueado transformações que criariam sociedades mais inclusivas. O caso do Congo ilustra de forma extrema como instituições extrativistas podem impedir a prosperidade por séculos. O texto aponta que ali vigorava uma estrutura em que “o próprio governo representava a maior ameaça aos direitos humanos e de propriedade de seus súditos”. Em condições assim, cidadãos não têm incentivo para investir, estudar ou empreender, pois tudo pode ser confiscado pela elite dominante.
É possível crescer sob instituições extrativistas?
Mesmo quando instituições extrativistas conseguem gerar crescimento, esse avanço é limitado e instável. Alguns regimes autoritários podem, por certo tempo, direcionar recursos para setores específicos e estimular crescimento controlado, como ocorreu na União Soviética ou na Coreia do Sul sob governos militares. Contudo, esse desenvolvimento não se sustenta quando o sistema político continua bloqueando a inovação ampla e dificultando a destruição criativa. Por isso, segundo o texto, “mesmo durante o acelerado crescimento econômico soviético verificou-se pouca mudança tecnológica”, e o modelo acabou colapsando.
O caso do Congo: um exemplo extremo
O Congo ilustra de maneira dramática como instituições extrativistas podem se perpetuar por séculos. Durante o período pré-colonial, o país já possuía estruturas de poder que permitiam ao rei e à elite confiscar riqueza, controlar o comércio e explorar a população. Com a colonização europeia, esse modelo não só continuou como se intensificou.
Após a independência, líderes como Mobutu mantiveram o mesmo padrão: enriqueceram pessoalmente enquanto a população empobrecia. A falta de centralização política eficaz, os conflitos internos e a disputa constante pelo controle do Estado impediram qualquer chance de construção de instituições que favorecessem o desenvolvimento.
O Congo demonstra que sem direitos de propriedade, sem segurança jurídica e sem um Estado capaz de prestar serviços básicos, a prosperidade não tem como florescer.
Além disso, regimes extrativistas tendem à instabilidade interna. A concentração de poder e riqueza gera disputas constantes entre grupos rivais, cada qual tentando controlar o Estado para explorar os demais. Isso explica por que, como descreve o trecho, conflitos recorrentes podem levar “ao total colapso e desmanche do Estado”. Em países onde não há centralização política sólida, como muitas regiões da África subsaariana, criar prosperidade é ainda mais difícil.
Assim, a razão pela qual sociedades não optam sempre pela prosperidade está no fato de que instituições inclusivas ameaçam aqueles que detêm poder concentrado. Para esses grupos, permitir crescimento amplo significa reduzir sua capacidade de controle. Dessa forma, como afirma o autor, “os grupos poderosos em geral se opõem ao progresso econômico”, porque têm mais a perder do que a ganhar com a abertura política e a democratização das oportunidades econômicas.
Em síntese, a prosperidade depende de instituições que distribuam poder, garantam direitos e estimulem a participação social. Onde isso não ocorre, não é por desconhecimento das vantagens do crescimento, mas porque privilegiados bloqueiam mudanças que fortaleceriam a sociedade, mas enfraqueceriam seu domínio.
ACEMOGLU, Daron; ROBINSON, James A. Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
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